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18/03/2010
Arrependimento

Caso Glauco: Cadu diz que acabou com a própria vida

O estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, principal suspeito do assassinato do cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, e seu filho Raoni, de 25 anos, afirmou em seu depoimento na sede da Polícia Federal, em Foz do Iguaçu, no Paraná, na tarde de terça-feira (16), que acabou "com a própria vida" ao cometer os assassinatos.

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Os detalhes do depoimento foram revelados na tarde desta quarta-feira (17) pelo delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Osasco, na Grande São Paulo. Ele viajou à cidade paranaense para interrogar o suspeito na terça e voltou no mesmo dia a São Paulo.

De acordo com o delegado, Cadu afirmou que após matar o cartunista e o filho dele se deu conta de que "o bagulho melou". Cadu, segundo o delegado, declarou em seu depoimento que “teve tempo para arquitetar” seu plano, o que leva a polícia a concluir que houve premeditação do crime.

“O interrogado afirmou que não tinha muito dinheiro consigo e que para conseguir mais algum deu uns ‘pelés’ na ‘vó’ durante algum tempo para conseguir. Além da mesada, ele disse que circulou pela periferia para conseguir a droga a um preço mais acessível. Depois, revendia a maconha na Vila Madalena (Zona Oeste de São Paulo). Depois de cerca de três meses, por estar convivendo, segundo ele, com pessoas do crime, conseguiu comprar a pistola, carregadores e 70 cápsulas”, relatou Archimedes.

Felipe Iasi
Sobre Felipe Iasi, que o acompanhou ao local do crime, Cadu afirmou que obrigou o rapaz a levá-lo até a casa do cartunista, em Osasco. Em seu depoimento, ele disse que conheceu Felipe “nas baladas e que fumavam maconha juntos”. Para Cadu, Felipe, por sua classe social, era “um playboyzinho, que faria o que ele mandasse”, revelou o delegado.

“Ele narrou que ligou para Felipe e o convidou para fumar maconha. E que ele sacou a arma da cintura e encostou no rosto dele (Felipe) e disse: ‘Tenho de resolver uma parada, um assunto sério. Você está vendo o aço? A arma é de verdade. Se não fizer o que eu mandar, vou sentar o aço em você, vou estourar a sua cabeça. Eu escolhi você porque você é de boa família, tem uma vida boa e não vai vacilar, pois tem muito a perder’. Felipe disse então para ele que se quisesse ele poderia levar o carro, mas que esta não era a intenção dele. Cadu disse que em seguida explicou para Felipe deveria seguir em direção da Anhanguera e que durante o percurso sempre esteve com a arma apontada para Felipe”, afirmou Archimedes.

O delegado Marcos Carneiro de Lima, diretor do Demacro, no entanto, afirmou que esta versão está sendo investigada e que Felipe Iasi ainda pode ser indiciado como partícipe do duplo homicídio por ter levado Cadu até a casa de Galuco. "Está sendo apurado. Ele se apresentou como vítima. Mas, por que não ligou para o 190 (telefone da polícia), logo depois que deixou a casa e esperou só pela manhã do dia seguinte para abrir a internet e ficar sabendo da morte do Glauco e do filho dele?", indagou Lima.

Motivação
De posse da arma, Cadu, então, decidiu levar adiante o seu plano, que era levar Glauco até a casa de sua mãe para ele convencê-la de que o irmão dele seria o Cristo reencarnado, segundo o delegado.

“Ele alega que recebeu uma orientação divina que o irmão é o Cristo encarnado, que tinha chegado o dia na noite de 11 de março e que precisava sincronizar tudo. Por isso, ele ligou para Raoni, pois sabia que ele só entraria na casa se o filho do Glauco estivesse lá. Quando Beatriz (a mulher de Galuco) atendeu, os abrigou a entrar. Então, Glauco desceu. Cadu queria que ele dissesse a verdade. ‘Assim como você explica a reencarnação dos outros, dizendo que Alfredo é o Rei Salomão, que o negão, o mestre Irineu, é Jesus, que as pessoas dizem que você é São Pedro, e que Raoni é Davi, se vocês têm essa capacidade de falar em reencarnação, digam que a reencarnação de Cristo é o meu irmão’ disse Cadu”, completou, sobre o depoimento do suspeito, Archimedes.

Cadu ameaçou atirar em Glauco diante de sua recusa em seguir com ele. Com a confusão, Raoni chegou ao local e discutiram, segundo relato do suspeito. Aproveitando-se da situação, Felipe, então, teria deixou o local, deixando Cadu desesperado, segundo o relato.

"Ele disse que resolveu matar Glauco e atirou nele. Quando Raoni se aproximou, efetuou quatro disparos contra ele. Ele relatou que, mesmo ferido, Glauco teria ido para cima dele e ele deu mais tiros no Glauco. Ele disse: 'Estraguei a própria vida. O bagulho melou'. Em seguida, ele disse que teria saído correndo no mato, onde permaneceu até as 5h da madrugada de domingo e que depois teria ido para o Campo Limpo (Zona Sul)", disse o delegado.

Rastreamento
O sinal do celular de Cadu foi rastreado pela polícia nos dias seguintes ao duplo homicídio. De acordo com o delegado Marcos Lima, Cadu, ao contrário do que afirmou à polícia, permaneceu por cerca de 40 horas na área urbana de Osasco. Além disso, por duas vezes neste período ele se aproximou da residência da família de Glauco neste período, sendo uma delas no sábado, quando ligou para a mulher do cartunista. A poícia investiga se Cadu recebeu guarida de alguma pessoa neste intervalo de tempo.

Cadu também pode ter sido ajudado na fuga da chácara. De acordo com o rastreamento, ele percorreu cerca de 9 km em média em um tempo de menos de 10 minutos, segundo o delegado. Mais uma vez, a suspeita recai sobre Felipe Iasi, que pode ter ajudado Cadu na fuga. "A declaração dois dois coincide. Cabe à polícia, por meio das informações técnicas, mostrar que o Felipe está mentindo", disse Lima.

Prisão
Cadu está preso em Foz do Iguaçu desde a tentativa de cruzar a fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Na fuga em um carro que foi roubado na Vila Sônia, em São Paulo, ele resistiu à abordagem da Polícia Rodoviária Federal. Uma hora depois, atirou em um policial federal que tentou pará-lo na Ponte da Amizade.

Com base no depoimento prestado ao delegado Archimedes, Marcos Lima não tem dúvida de que Cadu premeditou o crime. "Embora ele tenha problemas de ordem psicológica e até psiquiátrica, ele fez todo um trabalho premeditado. Para a polícia, Cadu é uma pessoa consciente do crime que ele cometeu", afirmou.

Edição:  Fernanda Pádua3  | Fonte:  G1


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