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Por Alinne Coviello, Bruna Conde, Bruna Cortez, Camila Monroe e Maressa Fernandes
Danilo Gentili Júnior é uma das grandes revelações do programa da rede Bandeirantes CQC (Custe o Que Custar). Com seu jeito inusitado ganhou o público com o quadro “Repórter Inexperiente”, no qual entrevistava, ou melhor, tentava entrevistar várias personalidades como: Gretchen, Datena e Mãe Dinah.
É formado em Publicidade e Propaganda pela UniABC. Têm dois shows próprios stand-up (estilo de show onde o comediante trabalha diretamente com a reação do público), o "Comédia ao Vivo" e o "Divina Comédia”, e participa também de um terceiro, o “Clube da Comédia”. O eterno Repórter Inexperiente, apesar da agenda lotada, arrumou um tempinho para contar um pouco mais sobre suas divertidas experiências na vida de publicitário-comediante-repórter.
Seu primeiro teste para o CQC, entrevistando o Agnaldo Timóteo, também foi a sua primeira vez como repórter. Como foi essa experiência?
Tentei fazer do meu jeito. Não fiquei preso no padrão. As pessoas que me entrevistaram vieram da Argentina, pois o programa já existia lá e o quadro também, e eu não entendia nada do que elas falavam, tanto que eu achei que tinha feito tudo errado, porque durante a entrevista o Agnaldo Timóteo se levantou e foi embora. Mas no final acho que era isso que eles queriam.
A que você atribui a repercussão positiva do seu quadro “Repórter Inexperiente”?
Eu não segui o padrão como os outros CQCs faziam o quadro, fiz da forma que eu achava melhor e realmente não sei explicar porque deu certo. Nos outros países não teve tanta repercussão assim.
Se você pudesse teria feito mais entrevistas antes da estréia do programa? Se sim, quem seriam os entrevistados?
Eu teria feito sim. Queria ter feito com o Nasi (vocalista da banda IRA), mas no dia o produtor havia esquecido o meu terno e acabou não dando certo. Também íamos fazer com a Luize Altenhofen (apresentadora do programa Band Esporte Clube), mas “dedaram” e não deu mais para entrevistá-la. Gostaria de ter feito com o Paulo Maluf e com o Inri Cristo. Depois eu fiz, mas em outro quadro.
Antes da entrevista você recebia algum tipo de preparo?
Sempre tinha os produtores que nos acompanhavam que faziam reuniões para discutir a pauta e para definir algumas perguntas para o entrevistado, apesar disso eu entendia um pouco de política e pesquisava também. Então a gente saía trocando idéias, às vezes eu sugeria perguntas, às vezes eles que sugeriam e eu fazia a piada. Trabalhávamos em conjunto.
E esse jeito que você tem meio desastrado e tímido. Isso é uma criação ou você é mesmo assim?
Eu não criei nada, fiz do jeito que eu sou. Só no quadro do “Repórter Inexperiente” que eu exagerei, mas mesmo assim exagerei algo que era meu, e também porque o quadro pedia isso.
Além de comediante agora você é repórter na prática. Como você encara a rotina de um jornalista?
A parte chata é ter que ir viajar a hora que os caras querem. Por exemplo, se eles quiserem que eu vá amanhã pro Acre eu tenho que ir. Não tenho horário pra comer, pra dormir e nem pra viajar. Mas a recompensa é fazer uma matéria legal.
Em entrevista a um universitário, você disse que seu sonho era fazer cinema, aí você fez Publicidade, trabalha como humorista e agora como jornalista. Como explica isso?
Eu queria fazer cinema, mas não tinha dinheiro para fazer cursinho para passar na USP e nem para fazer FAAP, eram os únicos lugares que tinham cinema na época. Então fiz Publicidade e Propaganda na Uni ABC, que era onde eu conseguia pagar. Eu fiz mais pensando que era Comunicação Social e que depois eu poderia fazer mestrado em Arte Visual... A minha idéia era essa. AÍ eu comecei a escrever, peguei meus textos e começaram as apresentações nos bares . O diretor do "CQC”, Diego Barreto, me assistiu no "Clube da Comédia" [espetáculo de humor stand-up de São Paulo] e me convidou para fazer um teste. Acabou dando certo.
Você tem algum roteiro antes de fazer a matéria ou você improvisa?
Uma matéria ou outra os produtores sugerem perguntas, eu vou muito sem pauta, de todos os repórteres acho que eu sou o único que vai sem. No jogo do Corinthians eu não tinha pauta, inventei tudo na hora. Foi a mesma coisa com o Inri Cristo.
E como é o relacionamento de vocês com os políticos?
Antes todo mundo era chato. Na época das eleições todo mundo é legal, mas agora que elas acabaram, todos voltaram a ser chatos [risos]. Acho que agora eles vêem que o CQC tem prestígio com o povo, aí a maioria está falando mais com a gente.
Em 2008 vocês foram proibidos de fazer reportagens dentro do Congresso Nacional. Depois disso o CQC promoveu uma campanha contra essa proibição. Como foi a repercussão com a audiência?
Várias pessoas enviaram e-mail para o Congresso. Um dia antes de liberarem nossa entrada eu entrevistei o Chinaglia [Presidente da Câmara Arlindo Chinaglia] na Band. Eu não posso falar que foi isso, mas não colocaram a minha entrevista no ar. E no outro dia estávamos liberados. Entrevistei-o no domingo e na segunda a gente estava de volta pro Congresso.
Qual é a diferença que você vê do CQC com os outros programas jornalísticos?
Acho que os outros programas jornalísticos não têm humor. E nós também perguntamos tudo na lata.Quando vamos fazer alguma pergunta os outros veículos já se preparam, pois sabem que nossas perguntas são inusitadas.
Tem alguma matéria que você fez que foi sua sugestão?
A do Inri Cristo foi minha sugestão. E eu estava pensando em esperar a Maísa na porta da escola, mas até agora ninguém me falou nada. [risos]
Qual foi a melhor entrevista pra você até hoje?
Uma é bem diferente da outra. Falar com a Dercy Gonçalves foi legal, eu fui o último cara que falou com ela.
E a pior?
Nossa, como pior teve várias. Tem uma que eu odiei que eu não queria ter feito. Fomos fazer uma matéria para entrevistar os prefeitos de Alto Paraíso, mas chegando lá nenhum candidato quis falar com a gente. Nós tivemos que inventar qualquer coisa, aí eu voltei com a matéria do disco voador, foi uma porcaria, mas acabou sendo pico de audiência e a partir disso surgiu o quadro “CQC Investiga”.
Você acha que é necessário que o jornalista tenha diploma?
Acho que quem ter que ter diploma é médico. O Steven Spielberg não tinha diploma de cinema e é o maior cineasta atualmente. Na verdade, na área de comunicação não importa ser diplomado, mas sim saber lidar com o público e se comunicar bem.
Entrevista publicada em 21/11/2008 no blog do Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo