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“Proteger o ambiente dá dinheiro”. Esta afirmação parte de um dos empresários mais bem sucedidos da região do Nordeste Brasileiro: Everardo Gomes de Matos, dono da maior usina ceramista da região do Crato (CE), a Cerâmica Gomes de Matos.
Na década de 90, a Cerâmica aquecia seus fornos com lenha proveniente do desmatamento da caatinga, além do coque de petróleo e óleo BPF, conhecido como óleo queimado. A partir de 2003, a empresa começou a trabalhar com o plano de manejo na fazenda Pau D’Arco e Bonfim, que está inserida em uma área pertencente à Floresta Nacional do Araripe. Desde então, passou a usar lenha de manejo florestal, bagaço de cana, casca de babaçu, pó de serra e restos de poda de árvores para cozer as telhas e tijolos.
O manejo foi autorizado através da Lei 9985/2000 que, entre outras, estabelece as Unidades de Conservação (UC) e determina que o proprietário de uma área inserida numa UC se responsabilize pela conservação do lugar. Desta forma, o manejo torna-se a mais viável forma de conservação. O bagaço de cana e pó de serra vem de doações. Já a poda das árvores, que antes a prefeitura jogava no lixão, e por conta de uma ação judicial movida pelo empresário, a Gomes de Mato tem o direito de recebê-las.
Com a utilização da poda das árvores, também entra a questão do crédito de carbono, que diz respeito à redução de gases do efeito estufa na atmosfera. Os troncos das árvores cortadas pela prefeitura, que apodreciam no lixão, geravam gás metano, que de acordo com Everardo Gomes, é mais valorizado. “Uma tonelada de metano é vendida a R$ 20 para o Banco Mundial” explica.
Somente no ano de 2009, a substituição permitiu a venda de 114 mil créditos ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird). Cada crédito corresponde a uma tonelada de carbono que teve a emissão evitada. O negócio rendeu à cerâmica Gomes de Matos, US$ 684 mil, ou seja: quase um milhão e duzentos mil reais! Essa prática, chamada de carbono social ou mercado voluntário de carbono, não atende todos os pré-requisitos do Protocolo de Kyoto, mas é reconhecido pela ONU.
Outra medida de conservação ambiental e desenvolvida dentro da Gomes de Matos, diz respeito à energia elétrica. O bombeamento da água usada para molhar a argila que serve de molde para os materiais, correspondia ao maior consumo de eletricidade da fábrica. Quando então, em 2008, o empresário resolveu triturar torrões de argila ao invés de molhá-los por dois dias seguidos, como era feito anteriormente.
Atualmente, os torrões passam por trituradores movidos a pó de serra (biomassa da poda das árvores). A medida resultou na redução pela metade do valor da conta de energia, levando inclusive a Companhia Energética do Ceará (Coelce) a duvidar da lisura do contador de energia da fábrica “A Coelce pensou que eu tinha posto um macaco”, lembra Everardo.
Revendo conceitos
Há discursos e mais discursos sobre meio-ambiente e sustentabilidade. Mas poucos vão no interesse dos que mais utilizam: os empresários.
Antes de julgar "ecochatos" deveriam repensar no que esses tem a dizer. Não precisa dizer que Everardo Matos utilizou uma consultoria ambiental né?
Enquanto isso, fica as pautas de enchentes, clima novo em Teresina, tempestades, e demais consequencias ambientais para nossos amigos jornalistas...
Flalrreta Alves - Tenho a comunicação como algo social, e não um passatempo ou brincadeira. Comentar as notícias cotidianas, trazer a consciência do nosso papel social para dentro do texto, conseguir vê além dos meios e mensagem. Essa é a proposta do blog que tentarei escrever. Fazer os números divulgados na economia refletir na leitura do dia-a-dia. Tratar de assuntos relacionados ao meio ambiente, mostrando que é possível desenvolver sem desmatar. Mostrar que o cidadão, que lê o texto é peça fundamental para a continuidade do próximo. Fica a dica para mais edições.
Flalrreta Flalrreta Alves. Nome estranho, para a dona indecifrável. Flal, como é chamada pelos amigos, é uma moça alegre e ao mesmo tempo triste. Sempre de bom humor, justa e disposta a ajudar quem precisa, pouco percebe-se o cansaço e a tristeza que essa moça tão enigmática tem.
Filha única, sem pai e criada pela avó, passou em todo vestibular que fez. Não importa se era Contabilidade, Química ou Comunicação Social. Com a graduação, fica dividida entre o mestrado e o cargo de Relações Publicas do Planalto Central.
Um coisa é certa, amar e mudar as coisas é o que mais lhe interessa.
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