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Levantamentos indicam um grande número de aulas não dadas na rede pública de ensino pela falta de comparecimento dos professores às escolas
Editorial
A divulgação de um relatório interno produzido pela Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor), órgão ligado à Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc), destinado à reflexão de diretores e professores, revelou que entre os dias 23 e 27 de novembro de 2009, período em que a Sefor realizou uma pesquisa com 149 escolas da rede estadual sediadas em Fortaleza, 21.128 alunos, em média, deixaram de assistir pelo menos uma aula por dia por causa da ausência do professor.
A abstenção dos docentes resultou ainda em uma média de 1.036 aulas diárias não realizadas. A matéria publicada pelo O POVO vem provocando um entrechoque de opiniões sobre as raízes do problema, cujos reflexos são muito sensíveis à comunidade.
Afinal de contas, não há como deixar de reconhecer os danos decorrentes desse processo, seja em termos sociais - já que a sociedade se sente prejudicada por colher resultados não correspondentes ao dispêndio de recursos no setor (assim como pelo fato de isso repercutir na própria capacitação de recursos humanos exigidos futuramente para dar conta das demandas gerais da sociedade); seja por trazer prejuízos a cada indivíduo (aluno), em particular, atrasando, alterando ou comprometendo seus projetos de vida.
Atribuir esse fato apenas à irresponsabilidade e à falta de senso de interesse público dos professores em geral não seria justo. Mas, há, de fato, falta de compromisso por parte de alguns que parecem desprovidos da percepção das responsabilidades que assumiram perante a sociedade quando optaram por essa profissão. Além do que há razões objetivas de ordem estrutural que transcendem, inclusive, a área de competência do setor, além de problemas de gestão.
Ser professor da rede pública (embora não exclusivamente) tornou-se uma tarefa extremamente estressante não só pelo fato de ter sido transferida para seus ombros a maior parte da carga pelo sucesso ou insucesso do ensino ministrado, seja pela própria mudança da relação docente x aluno (onde a autoridade do mestre é contestada não apenas em face de uma realidade cultural que modificou o conceito de ``autoridade``, como pela degradação das condições sociais que trazem para sala de aulas os conflitos existentes fora dela), tornando os mestres muitas vezes refém do medo da agressão física direta.
Não é por outra razão que hoje há uma grande incidência de doenças psíquicas ou psicossomáticas na categoria. Os fatores são muitos: desvalorização social da profissão (que é uma das últimas a ser escolhidas hoje como opção profissional), irresponsabilidade e falta de espírito público de alguns (no caso do Ceará há de se ver que uma grande parte dos professores é formada por temporários) e inexistência de mecanismos competentes de controle e gestão. Eis um desafio que precisa ser enfrentado em toda sua complexidade.
Christian Messias - Notícias da educação na mídia, editoriais, opiniões e entrevistas; Comunicação e Radialismo; Humor e Curiosidades você encontra aqui.
Prof. Christian Messias Pedagogo, Pós-Graduado em Metodologias Inovadoras - Gestão Escolar e Educação a Distância. Estudante de Radiodifusão e TV pela Fundação Dom Avelar. Ministrante de cursos e palestras na área educacional em cursos de capacitação, graduação e pós-graduação.
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