O que passa na cabeça do garoto Neymar?

Um grande talento, um craque, um espetáculo. Estes são os predicados mais utilizados para definir o menino Neymar, jogador do Santos, a principal estrela de um elenco brilhante. A pressão com a bola ele tira de letra, mas a exemplo de outros grandes craques de nossa história futebolística, ele tropeça nas palavras e nas atitudes. Aí é inevitável o questionamento: O que passa na cabeça do garoto Neymar?
Há alguns meses, o Neymar e alguns de seus colegas, inclusive o Robinho e o Ganso, não sairam do ônibus para fazer a entrega de ovos de páscoa a Trinta e quatro pessoas, incluindo crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral. O motivo preconceituoso: o Lar Espírita Mensageiros da Luz, em Santos, é uma instituição beneficente que segue a doutrina espírita. Dias depois, após pressão da opinião pública, eles retornaram ao local.
Para completar a "tragédia neymariana", ele deu uma entrevista ao Estadão.com.br que é de entristecer. Ele se mostra uma pessoa intelectualmente ignorante e preconceituosa. Nitidamente despreparado, beirando a um quadro quase de analfabetismo, de bacana só sua "extrema caridade"... com a Igreja Igreja Batista Peniel, de São Vicente, para a qual doa 10% de seus rendimentos.
A entrevista é recheada de pérolas. Uma delas, talvez a maior, quando perguntado se ele já havia sofrido racismo, ele surpreende a todos e diz que não, nem dentro e nem fora de campo. Afinal de contas, como ele próprio diz: "eu não sou preto né?"
Há outras pérolas... mas a estas, prefiro que vocês mesmo tirem as suas conclusões. Abaixo, segue a reportagem na íntegra.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100426/not_imp542923,0.ph
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\'Quero um Porsche e Uma Ferrari na garagem\'
Neymar, estrela maior do Santos, é gastão. Mas dá 10% de tudo à igreja
Quando nasceu, Neymar ficou sem nome por quase uma semana.
Indecisos, seus pais, Nadine e Neymar Santos, pensaram em "Mateus".
"Mas minha mãe sugeriu botar Neymar para ver se um dia esse nome
vingaria", conta o pai do garoto.
Neymar pai jogou futebol em clubes pequenos, o que lhe rendeu o
patrimônio de um terreno. Neymar filho, aos 17 anos, já comprou uma
cobertura tríplex em Santos - com piscina, sauna e espaço gourmet
dentro do apartamento. Uma jacuzzi com TV de plasma ocupa o
banheiro de seu quarto. Lá, a nova e grande estrela do Santos vive há
cinco meses com pai, mãe, irmã e um primo - que tenta a vida como
jogador.
Uma estante envidraçada com fotos, medalhas e troféus de "Juninho"
decora a sala-de-estar da casa da família, onde a coluna foi recebida em
dois dias diferentes. No primeiro, o pai e empresário do craque contou
histórias inéditas. No outro falou o filho - mostrando-se, em família, um
tímido e brincalhão.
"E pensar que o Juninho quase morreu", emociona-se a mãe. "Ele tinha
quatro meses e estava no carro comigo e com meu marido quando
sofremos um acidente. Ele estava deitadinho atrás e, quando batemos,
rolou para debaixo do meu banco. Mas Deus estava no controle e ele só
cortou a testa. Meu marido ficou três meses na cama."
Agora, aos 18 anos, com saúde e futebol para vender por milhões de
euros, ele é "um vulcão em erupção", conforme define seu pai - e para
chateação do técnico Dunga. Neymar está solteiro. Rompeu o namoro de
cinco meses com uma garota de 16 anos, do Guarujá. Seu pai bem que
tenta aconselhar as namoradas do filho: "Para ser mulher de atleta, tem
que fazer vista grossa. Homem apronta, mas quando a ficha cai, ele
volta. Veja o Robinho, ele sossegou".
Neymar diz que não quer saber de se apaixonar. "Agora não. Quero curtir
a vida", avisa, esparramando-se no sofá. Entrelaçando as pernas em uma
almofada, narra seu sacrifício para não cair no canto das
marias-chuteiras. "Você tá quietinho e elas é que vêm para cima. A
gente tenta dar umas cortadas, mas é complicado. Tem que ser esperto,
primeiro conhecer, ver de onde ela vem, no que está interessada, se ela
gosta mesmo de você. Daí você investe."
E o assédio é grande. "Tem mulher mais velha, mais nova, tem de tudo.
Tenho que ficar com o olho bem grandão", afirma, arregalando o seu par
verde.
Para proteger o filho de companhias oportunistas e de impulsos
consumistas, quem administra o dinheiro do craque é o pai. Ele diz
deixar apenas R$ 5 mil na conta do moço - valor bem inferior ao salário,
que hoje beira os R$ 150 mil mensais. "E cinco mil ainda acho muito,
porque o Juninho não precisa comprar nada. Tem contrato com a Nike,
ganha roupas, tudo. Parece um polvo, tem mais de 50 pares de
sapatos."
História que o jogador confirma. "Eu acho bom, porque a grana acaba. E
sou meio gastão, né? Principalmente em viagens. Compro presente para
todo mundo. Até para o cachorro, se deixar." O jovem também coleciona
relógios, perfumes e brincos. "Mandei fazer um brinco de ouro com as
letras "NJ" (de Neymar Junior)."
Ele adora, também, comprar roupas. Os estilos "variam com o humor".
Fora das marcas esportivas, prefere Calvin Klein e Armani. "Calça gosto
assim: apertadinha embaixo e larga na cintura. Aparecendo a cueca."
Mas o interesse por moda é recente. Quando pequeno, ele queria
mesmo era "comprar um supermercado de bolachas. Para poder comer
as recheadas a qualquer hora".
Neymar tem uma marcante passagem na infância que envolve
molecagem, inveja e, novamente, bolachas. Certa vez, ele e um grupo de
amigos do clube foram a uma padaria e roubaram um pacote de
biscoitos. Ao perceber, o então treinador Betinho fez o grupo voltar, pagar
e pedir desculpas. O deslize rendeu. Um dos pais dos meninos
envolvidos foi até o presidente do clube e disse: "Esse Neymar, que
vocês ficam pajeando, é um ladrão". A história caiu como uma bomba
nos ouvidos de Neymar pai, que só soube da história quando voltou à
noite do CET, onde trabalhava como mecânico. "Todos estavam
envolvidos, mas foram reclamar só do Juninho por pura inveja. Ele era o
único a ganhar duas cestas-básicas em vez de uma."
Por falar em inveja, Neymar pai conta que desde pequeno o filho jogava
com "fitinha de Jesus" na cabeça. "Minha mulher fazia questão, que era
para protegê-lo. Mas chegaram até a chamá-lo de "mascarado". Quando
foi para o Santos, teve que abandonar essa proteção."
Com ou sem faixa, Neymar, segundo seu pai, sempre foi e continua
sendo um fiel contribuinte da Igreja Batista Peniel, de Sãio Vicente. Doa
10% de tudo o que ganha para lá. "O primeiro salarinho dele foi R$ 450.
Fizemos esse primeiro contratinho dele no Santos e minha mulher
pegava os R$ 45 e dava para igreja todo mês. OK, ainda sobravam uns
R$ 400 para pagar as contas. Daí ele passou a ganhar R$ 800. Tá bom,
doa R$ 80... Só que Deus começa a te provar, né? Pegamos R$ 400 mil.
Caramba, meu, como vamos "dizimar" R$ 40 mil? É um carro! Cara, mas
daí você pensa que Deus foi fiel. Pum, dá R$ 40 mil! Mas daí vieram
"catapatapum" reais. Meu Deus, não quero nem saber, "dizima" logo
isso! (risos). É... Deus te prova no pouco e no muito", suspira o patriarca
da família Silva Santos. E o que pensa disso o jogador? Como revela na
conversa que se segue, o dinheiro não lhe faz a menor falta.
Dói abrir mão de R$ 40 mil?
Para Deus, nada dói. E acho legal. A gente conhece bem o pastor da
Peniel. Faz dez anos que estou lá e agora estão ampliando a igreja.
Acho que se a gente acreditar em Deus, as coisas vêm naturalmente.
Deus me deu tudo: dom, sucesso...
Falando nisso, qual é a parte chata de fazer sucesso?
Ah, não tem parte chata. Eu acho que é sempre legal.
Já foi vítima de racismo?
Nunca. Nem dentro e nem fora de campo. Até porque eu não sou preto,
né?
O que gostaria de poder comprar que ainda não tem?
Queria um carrão.
Mas você acabou de comprar um Volvo XC-60, por R$ 140 mil, Não é um
carrão?
Ah, é, mas queria uma Ferrari. Nunca andei.
Uma Ferrari ou um Porsche?
Não sei. Qual é melhor?
Não sei, também.
Ah, então eu queria um Porsche amarelo e uma Ferrari vermelha na
garagem.
Qual é seu tipo de mulher?
Linda.
Prefere as loiras, as morenas, japonesas...?
Tem que ser linda. Sendo linda, tá tudo certo. E só não pode ser
interesseira.
Você alisa mesmo os cabelos a cada 20 dias?
Aliso. Nem sei o que eles (cabeleireiros) fazem. Só sei que tem um
cheiro ruim. Mas fica bom porque meu cabelo é meio enrolado. Aí tem
que alisar para o moicano espetar. E também pinto de loiro. Sou meio
maluco, né?
Parece que você tira as sobrancelhas também...
Tiro aqui embaixo (diz, penteando-as com os dedos).
E o que mais você faz para cuidar da aparência?
Depilo as pernas com uma maquininha. Da canela até as coxas. Acho
que fica melhor assim. Ah, e faço o pé com a podóloga do CT (Centro de
Treinamento do Santos). E, olha aqui, meu pé até que é bonitinho, né? O
pessoal costuma ter a unha preta. Eu, não.
Como gosta de se divertir?
Depende. Quando eu ganho o jogo, aí saio para bagunçar. Mas se perco,
prefiro ficar quieto em casa. Só jogo uma sinuca. Fico chateado, bravo e
se alguém fizer uma piadinha na rua... eu não tenho sangue de barata.
Também gosto de dançar. Danço de tudo: funk, psy, sertanejo,
blackmusic.
Gosta de viajar?
Gosto de ir para outros lugares, mas não gosto de viajar, não. É chato
ficar dez horas dentro do avião. Você anda para lá e para cá e nunca
chega.
Qual o lugar que mais gostou de conhecer?
Os Estados Unidos. Fui para Nova York e Los Angeles. É tudo é
diferente, né? A rua, o cheiro. Fui também para Catar, México, Nigéria.
Para onde gostaria de ir?
Hmmm... para a Disney. Gosto de parque de diversões, brinquedos
radicais. Tenho medo, mas eu vou. Ah, e Cancún também. Não surfo,
mas pego um "jacarezinho".
Já tirou seu título de eleitor? Não tirei. Nem queria, mas vou ter que tirar.
Sabe quais vão ser os candidatos à Presidência?
Não sei, não
Gosta do Lula?
Não tô prestando muito atenção nisso. Mas agora vou ter que passar a
prestar.
E até onde quer chegar como jogador de futebol?
Quero ser o melhor do mundo.
Com Débora Bergamasco
Fonte: Tarcísio Passos; O Estadão.com.br
Keywords: Neymar Preconceito Racismo
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