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O papel da escola e dos pais na formação educacional

Atualizada em 29/08/2010 às 14h35

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Escrito por Paola Azevedo

Há alguns anos, um tema tem inquietado muitos educadores: a participação das famílias no processo de formação educacional de crianças e jovens. Ou melhor, a falta dela. Por razões diversas, o que se percebe é que a escola tem chamado, cada vez mais, os pais e responsáveis para uma interação maior com a comunidade escolar e, em consequência, com a educação de seus filhos.

Com o ingresso cada vez mais progressivo da mulher no mercado de trabalho, hoje, as mães também precisam trabalhar para arcar com os gastos da família. Com isto, a tendência tem sido a de manter os filhos mais tempo no ambiente escolar. E, com o dia-a-dia cada vez mais atribulado, o envolvimento dos responsáveis com a escola tem sido cada vez menor.

Nesta lógica, não são poucos os educadores que consideram que está, praticamente sobre as instituições de ensino, a responsabilidade de educar as crianças e os jovens. "Quando os pais declinam de alguma formação, alguém tem que assumir essa responsabilidade, esse compromisso com o futuro. E a escola seria o melhor lugar", afirma Rosely Saião, psicóloga especializada em Educação de crianças e adolescentes. Para a especialista, os motivos para os pais não se apresentarem ativamente na educação dos filhos não dizem respeito, necessária e unicamente, ao fator tempo.

"Há uma dificuldade interna. Os pais estão disponíveis a comprar tudo o que os filhos querem, a fazer todas as suas vontades, mas muitas vezes não estão disponíveis para ter atitudes educativas. Muitas não participam porque não gostam, porque não tem paciência, ou porque não tem conhecimento ou interesse", opina.

Mas quais são os limites entre a participação da família na escola e dos profissionais da educação na formação integral de um estudante? A dúvida que paira na cabeça de muitos educadores é se seria mesmo da escola o dever de formar integralmente o indivíduo, uma vez que os pais seriam omissos, ou se cabe aos professores apenas a missão de lhes transmitir conhecimentos.

O diretor do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro (Sinepe-Rio), Henrique Zaremba, acredita que, apesar das discussões, a maioria dos pais consegue resolver essa questão de forma simples. "A família vê a escola como aliada, de maneira geral, já que ela escolhe a instituição em que seu filho vai estudar e esta é uma escolha consciente.

Mas é claro que existem pais que transferem para a escola funções que não são dela. Acredito que a grande maioria supera isso e consegue educar seu filho de maneira razoável."

O educador deixa claro também que a escola pode e deve contribuir com a formação integral do aluno. Mesmo quando certas responsabilidades são, prioritariamente, dos pais, como é o caso, por exemplo, na imposição de limites.

"Os pais têm determinados direitos que a escola não tem. Mas a escola pode e deve impor limites sim. Até porque, o regimento da escola inclui a disciplina." Da mesma forma, segundo o educador, é importante que os pais estejam mais ao lado das instituições de ensino, em especial no que se refere à formação ética.

"Obviamente esses valores estão presentes em tudo o que a escola faz, mas a educação nesse sentido deve ser dada pelos pais e responsáveis", pondera Zaremba. O tema chegou ao Congresso Nacional. Em tramitação, o projeto de Lei 7157/10, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), propõe algumas mudanças na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A ideia é que, além dos educadores, as opiniões de quem também faz parte da escola sejam ouvidas.

Onde esta participação já acontece, em geral, resultados aparecem. Ex-secretário Estadual de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita usa sua experiência à frente da Secretaria para exemplificar a importância da participação da família no desenvolvimento dos estudantes. Em sua gestão, ele implantou o Programa Escola da Família, que foi premiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

A iniciativa mantinha abertas, aos finais de semana, todas as escolas da rede estadual, com atividades educacionais e recreativas, sempre com a presença da família. Foram quatro anos de programa e, segundo Chalita, a diminuição da violência no entorno das escolas foi de 40% a 80% e a evasão escolar foi praticamente zerada.

"Foi desenvolvido um conceito de pertencimento em relação à escola e todos passaram a cuidar e a se dedicar a ela com maior intensidade", defende Gabriel. Segundo Chalita, é fundamental que a escola e as famílias busquem atuar em parceria. "Educar é uma iniciativa que não pode ser nem só da escola nem só dos pais", destacou o educador, para quem os pais podem delegar para a escola algumas tarefas, igualmente importantes, mas nunca a tarefa da paternidade responsável e da proximidade que marcará o caráter da criança para o futuro.

"É preciso que os pais arranjem tempo, porque essa convivência é fundamental. A ação das duas esferas, em parceria, é a desejável. E o melhor caminho, já dizia Aristóteles, é a moderação: nem permissivos, nem autoritários, nem passivos, nem superprotetores. Nem só a família nem só a escola." Resta, então, a famílias e educadores, encontrarem este ponto de equilíbrio.

Desenvolvimento do aluno depende da escola e da Família

A relação família-escola é assunto para seminários, palestras e inúmeras publicações. Autora do livro "Escola sem conflito: parceria com os pais", Tania Zagury, filósofa e educadora, afirma que o impacto para a formação do jovem quando a instituição escolar e os pais não atuam juntas pode ser negativo. "Todo esse desenvolvimento depende tanto da escola, quanto da família.

O nosso trabalho de educador está exatamente em tocar em áreas como aprendizagem, comportamento, sociabilidade, educação, fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. É preciso primeiro que a escola trabalhe com seus professores que, enquanto educadores, estão lá para educar. E educar é amplo. Abrange todas essas áreas: a coletiva, a afetiva e a relacional. O mesmo cabe aos pais", ressalta.

As crianças de hoje têm sido criadas em um ambiente bem mais liberal. Em outras épocas, seria difícil imaginar pais acatando desejos e caprichos dos filhos, alguns até mesmo com impacto no processo educacional, como a recusa em fazer deveres ou em ir à escola.

A razão disto está em uma característica dos novos tempos: o sentimento de culpa pela ausência por razões profissionais. No entanto, a distância de casa, segundo Tania Zagury, não é obstáculo para os pais exercerem o papel educacional que têm. "Não é apenas a presença física. É perfeitamente possível o pai exercer uma supervisão e também sua autoridade mesmo não estando diretamente com seus filhos".

Mas, as escolas também precisam fazer sua parte. E um bom começo é reavaliar o relacionamento com as famílias. Em vários colégios, diz Tania Zagury, os pais são chamados para receber informações sobre assuntos como objetivos da escola ou a proposta pedagógica. "São assuntos normativos e muitas explicações que, muitas vezes, os pais não querem ouvir, não é interessante para eles." Não se trata de achar que temas como estes não devem ser tratados. Eles também são relevantes.

A educadora, porém, acredita que, além das reuniões pedagógicas, os diretores podem chamar os familiares, com maior frequência, para tratar de temas de interesse mais direto. "Sugiro inverter o processo. Dizer aos pais o que eles querem ouvir, falar da questão afetiva. A metodologia, os trabalhos a serem desenvolvidos podem ser informados por cartas, ou de alguma forma que não exija a presença dos pais na escola", conclui Zagury.

Educação é tema de debates em encontro no Rio - A necessidade de as famílias estabelecerem limites aos jovens e crianças será um dos vários temas discutidos no 7º Congresso Rio de Educação, que acontece nesta sexta, dia 27, e no sábado, dia 28.

Organizado pelo Sinepe-Rio, o evento ocorrerá no Sheraton Rio, no Leblon, e reunirá profissionais da educação e interessados no assunto para um amplo debate sobre questões variadas da área educacional. Abrindo o encontro, três conferências estão agendadas: "Saberes em Movimento", às 11h20 será ministrada pelo filósofo Gabriel Chalita. Já às 14h30, a psicóloga Rosely Saião discute o tema "Família e Limites".

Encerrando o ciclo de palestras do dia, o sociólogo Demétrio Magnoli fala sobre "Convivência nas Diferenças: o princípio da igualdade perante a lei e o multiculturalismo". Para o segundo dia, a programação inclui 16 painéis temáticos, além de experientes e conceituados especialistas debatendo novas ideias para gestão escolar, aperfeiçoamento dos profissionais de ensino e atualização de práticas educacionais.

Haverá oficinas pedagógicas abordando com ampla variedade questões da área educacional. Assuntos como biodiversidade, sexualidade, síndrome de Down, psicomotricidade e uso responsável da internet, serão discutidos, além de mesas-redondas sobre variados temas. A inscrição pode ser feita no site do evento.



Fonte: Folha Dirigida, 26/08/2010 - Rio de Janeiro RJ



Keywords: educação, Vooz, Mural da Escola, O papel da escola e dos pais na formação educacional



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