fechar

MSN Repórter

O Vooz quer escrever notícias para você e por isso abriu o canal Repórter Vooz onde você entra em contato diretamente com nossa equipe por MSN e participa do Vooz.

  • Sugira assuntos e enquetes;
  • Envie matérias;
  • Complemente com informações, fotos ou vídeos;
  • Tire dúvidas;
  • Tenha seu nome na equipe do Vooz e ganhe visibilidade no mercado;

msn@vooz.com.br


O morro da casa-grande

Atualizada em 22/03/2011 às 19h12

 src=http://www.vooz.com.br/images/Um

Acabei de ler o livro O morro da casa-grande (e recomendo) do escritor piauiense Dilson Lages Monteiro. Uma relato prenhe de memórias, de recordações de uma cidade que viu sua Igreja Matriz ser demolida em 1963.

___ Na Rua da Caquengo, a vendedora de espanadores, descontente com o espetáculo, parou à porta de Marciano, avisando Dona Margarida:
___Cristo se esfarelou, dona Margarida!
Marciano recluso ao quarto, às voltas com as páginas da história do Piauí, parou para ouvir a versão da vendedora, mas nada entendeu além da notícia esperada, e ocorreu-lhe a bisavó repetindo:
___ Barras vai desandar! Barras vai desandar! Aqui não se teme nem os castigos de Nossa Senhora.

Nesta passagem o relato de um sofrimento pelo apagamento da memória, como se as autoridades decidissem para além da paralisia de quem não pode fazer nada… Assim foi e assim será o Piauí de esquecidas e apagadas memórias. O romance se passa em Barras de Marataoã pelos meados do século passado. O livro cheira a óleo ardente de babaçu saído do interior das amêndoas em tachos ardentes sob chamas, a farinha torrada nas pedras do forno do aviamento… o livro tem cheiro de Piauí, meu Piauí querido.
Um interior distante de gente distante das coisas modernas, um tempo em que o menino queria ser coronel, e a bisavó rezava pelas ausências dos males do mundo numa penitência eterna que só os católicos guardavam em silêncio.

O velho patriarca rogava aos seus:

___ Não se metam em politica. É coisa traiçoeira. Política é para os maus, os perversos, os sem-escrúpulo. Os bons são destruídos moralmente, por mais que façam.

Barras das famílias, das fazendas e dos alqueires herdados de destemidos desbravadores dos sertões mafrenses. Barras dos coronéis, das beatas e dos padres desalmados.
Esquecida, corroída de ternura amarelecida, e que um dia já foi o retrato do Piauí inteiro.
Barras.

Link para conhecer o autor e sua obra:
http://www.portalentretextos.com.br/
 



Fonte: Do autor



Keywords: romance, barras, memória, literatura, Marataoã



O que você achou dessa notícia?

Avalie aqui:

Média de avaliações

2 votos
Deixe seu comentário:
Deixe seu comentário

O comentario não pode ser vazio.


O nome não pode ser vazio.


O email não pode ser vazio.

O Estado não pode ser vazio.

A cidade não pode ser vazia.
Envie essa notícia para um amigo:
Envie essa notícia para um amigo


Exemplo: nome@example.com. Para enviar para mais de uma pessoa, separe os endereços por vírgulas

Informe o seu nome

Informe o seu endereço de e-mail

O comentario não pode ser vazio.
Comunicar erro na notícia:
Comunicar erro na notícia


Informe o seu nome

O email não pode ser vazio.

Descreva o que há de errado com esta notícia

0 comentários, 0 respostas