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Educação à todas as crianças

Atualizada em 07/02/2010 às 08h30

src=http://www.vooz.com.br/images/image/Prof_Christian/Mural_da_Escola.JPG

Elias Januário

Peter Mittle, professor emérito da Universidade de Manchester, Inglaterra, revela em um artigo de sua autoria dados que valem a pena prestarmos a atenção, como, por exemplo, o número de cerca de 125 milhões de crianças em todo o mundo que não frequentam a escola, sendo que dois terços são meninas.

Aproximadamente 150 milhões de crianças abandonam a escola antes de aprender a ler ou escrever. Um em cada quatro adultos dos países em desenvolvimento não sabe ler ou escrever. Apenas 1% dos deficientes físicos frequenta algum tipo de escola na maioria dos países em desenvolvimento.

São dados realmente impressionantes que nos possibilitam profundas reflexões quanto ao desafio que temos que enfrentar para ofertar e manter as crianças nas escolas. A situação se agrava mais quando se trata das crianças portadoras de algum tipo de deficiência.

Na Inglaterra, é proibido, há três décadas, excluir qualquer criança da educação pelo fato dela ser portadora de alguma deficiência, onde o poder público investe na qualificação de professores para trabalhares e oferecerem uma educação de alta qualidade e eficiência, sejam nas escolas tradicionais como nas escolas especiais.

Voltando para a nossa realidade, no caso o Brasil, país em desenvolvimento, não precisamos ir muito longe para encontrarmos escolas que excluem crianças portadoras de deficiências ou quando aceitam estão sob os cuidados de pessoas que não foram qualificadas educacionalmente para esse tipo de ação.

O movimento para a educação inclusiva é mundial e rompe fronteiras, sendo praticado em alguns países pobres com grande êxito, uma vez que existe vontade política, compromisso com a cidadania das crianças portadoras de deficiências. Um exemplo é a África do Sul, que está construindo uma política pública em cujas bases está a inclusão de crianças portadoras de deficiências.

Aliado a esse processo consolidação das políticas públicas, é fundamental que os pais continuem lutando pelos direitos de seus filhos de frequentar as escolas comuns e de receber todo o apoio necessário para o pleno desenvolvimento de sua formação educacional. É imprescindível que formem organizações com o propósito de fortalecerem a luta pelos direitos constitucionais.

O que se percebe de maneira geral que o principal obstáculo que se configura neste cenário não é o financeiro, legislativo ou político, mas a própria atitude negativa da sociedade em aceitar as crianças portadoras de deficiências em escolas normais, o preconceito, a ausência de informação e formação criam uma ambiência desfavorável a inclusão das crianças nas escolas.

As Organizações das Nações Unidas (ONU), juntamente com a Unesco, tem atuado internacionalmente em campanhas e na promulgação de declarações com o propósito de chamar a atenção da população mundial para esse grave problema que aflige os países em desenvolvimento, buscando com isso aumentar a consciência mundial e proporcionar ações efetivas em diversos países.

Atualmente os países em desenvolvimento estão percebendo que o segredo para o desenvolvimento social e econômico está sem dúvida na melhoria da educação escolar de suas crianças.

Para tanto, essa ação deve incluir todas elas, onde as crianças portadoras de deficiência não devem ficar ignoradas, como vem ocorrendo ao longo dos anos. Inúmeras experiências educacionais desenvolvidas em diferentes países com crianças portadoras de deficiências apontam que as crianças podem aprender nas escolas comum, no entanto o maior obstáculo para isso é o preconceito, o medo do desconhecido.



Fonte: Gazeta de Cuiabá, 05/02/2010 - Cuiabá MT



Keywords: ONU, educação, Vooz, Christian Messias, Universidade de Manchester, Petter Mittle



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