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Caetano Veloso precisa realmente de R$ 2 milhões? A pergunta não quer calar!

Atualizada em 17/06/2009 às 20h40

Repercutiu mal, muito mal mesmo a história da solicitação de apoio financeiro do Ministério da Cultura do Brasil para o novo show do mega estrela , Caetano Veloso, que é verdadeiramente um importante ícone  cultural do Pais.

Tão incômoda é a história no meio da produção cultural que publicamos a seguir um artigo publicado em O Tempo, com o título de “Ligue Já!”. Muito critico e oportuno é o texto de Silvana Mascagna, mas, para algum leitor mais ansioso, se bem desejar, pode seguir direito pra o ultimo parágrafo, síntese de uma profunda discussão social no País que vem dando exemplo em democratização das oportunidades na área cultural.

“Alguém aí tem o telefone do Juca Ferreira? É, esse mesmo, o ministro da Cultura? Se tiver, por favor repassem para os milhões de produtores culturais que tiveram seus projetos reprovados pela Lei Rouanet. Quem sabe assim eles têm, como teve Paula Lavigne, a chance de saber qual o critério que foi utilizado para a escolha deste ou daquele projeto. E, com sorte, obtêm do ministro a mesma resposta que ele deu para Paula Lavigne: a de que iria rever a decisão.

Foi o próprio Juca quem disse em entrevista à "Folha de S.Paulo" que foi procurado por Paula Lavigne, produtora do show de Caetano, que o teria questionado sobre qual foi o critério utilizado para a reprovação na lei do projeto de divulgação do novo disco do cantor, "Zii e Zie". O ministro não soube responder porque, ao que tudo indica, não está de acordo com a decisão da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), ligada ao MinC, que vetou o projeto, no valor de R$ 2 milhões, por achar que ele não precisava da Rouanet, por ser comercialmente viável.

Para ele, houve um "erro" da CNIC porque não se pode "aplicar um critério para um artista e não aplicar para outro. A lei atual não tem nenhum critério que diga que os artistas bem-sucedidos não podem ter seus projetos aprovados, e nem a nova deverá ter." Juca afirma que a Rouanet já beneficiou artistas consagradas como Maria Bethânia (graças a também uma intervenção direta de Juca) e Ivete Sangalo, e não seria justo com Caetano. Seria como dizer: "Estamos equivocados há anos. Por que não continuar com o equívoco?".

O problema é que o próprio ministro tem viajado pelo país como principal entusiasta da reforma da Rouanet, que canaliza cerca de R$ 1 bilhão por ano para a produção cultural por meio de renúncia fiscal.

Segundo Juca Ferreira, a lei precisa ser reformulada porque, nos moldes que está, concentra recursos em projetos do Sudeste e em artistas consagrados.

"Vocês vão acabar atraindo a antipatia do Brasil para São Paulo", disse o ministro num caloroso debate na capital paulista, respondendo a um dos seus interlocutores, que momentos antes afirmara: "Não podemos demonizar o incentivo fiscal porque o bumba-meu-boi está sem apoio".

Num debate em Belo Horizonte, Juca chegou a dizer que Minas era o "Nordeste do Sudeste", referindo-se aos parcos projetos aprovados no Estado pela Rouanet em relação ao Rio e a São Paulo.

Por tudo isso, é bastante incoerente que o ministro baiano venha neste momento desautorizar uma decisão da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura justamente por ter considerado que um projeto tão comercialmente viável como é a turnê "Zii e Zie" não precise de incentivo fiscal.

A turnê, é preciso que se diga, já está em curso e vai muito bem, obrigada. Já passou pelo Rio de Janeiro, por Brasília, Belém, Maceió, Fortaleza, Juazeiro do Norte, São Paulo.

Vai para Curitiba e não sei quais outras cidades, antes de chegar a Belo Horizonte no próximo dia 3 de julho. Os ingressos vão de R$ 40 (meia-entrada para pista/arquibancada, no primeiro lote) e R$ 160 (inteira para cadeira numerada, no terceiro lote). Não são preços populares e, ainda assim, a 16 dias do show por aqui, já estão esgotados os ingressos para cadeiras numeradas do primeiro lote.

É definitivamente uma turnê comercialmente viável. E se é, por que então Caetano precisaria realmente de R$ 2 milhões para realizá-la?

Se Caetano receber os R$ 2 milhões, como parece que vai, não estará fazendo nada ilegal. Mas seria moralmente aceitável receber esse montante sem dar nada em troca? Será que seria pedir muito que Caetano, em contrapartida, promova grandes shows gratuitos em praças públicas e assim atinja um público mais abrangente?”



Fonte: O Tempo



Keywords: , Caetano, veloso, minc, apoio



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