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Brincadeiras de mau gosto

Atualizada em 24/04/2011 às 06h59

src=http://www.vooz.com.br/images/image/Prof_Christian/Mural_da_Escola.JPG

Escrito por Hélcio Corrêa Gomes


As brincadeiras de mau gosto nas escolas não são um fenômeno novo. Tal disfarce da perversidade produz dois defeitos. Um ser adulto arrogante, prepotente e insensível. E outro ferido na alma e triste solitário. O novo, neste tempo mais bicudo, foi que se incorporou termo inglês ao vocábulo nacional, que configura tal prática deplorável contra o indefeso, bullying. E que demonstra ser fenômeno universal a perversidade infantil. Enfim, a agressão moral ou física, que fere e marca a vida, de quem faz e sofre, e não recebe aquele polimento na tenra infância escolar.

Tudo isto me faz recordar de minha primeira professora de português, que agia ao menor rumor de não cordialidade, num tempo em que a gente nem sabia que existia a tal palavra da língua inglesa para designar a absurda falta de urbanidade. Ela corrigia o infrator no tom disciplinador. Exigia que não se fizesse piada de magro para magro, de gordo para gordo e que nunca disséssemos que uma menina era feia.

Enfim, que nos restringíssemos aos apelidos carinhosos e com autorização prévia. Escracho (indelicadeza) com deficiente ou diferente era tratado como desonra escolar (qualidade de covarde). O que foi a autoridade moral da professora (culta e humana), até hoje não consigo sequer chamar ninguém pelo apelido.

Tal como num colégio em Taiúva (SP) onde ex-aluno feriu oito alunos com disparos de revólver calibre 38 para vingar de apelido e de gracejo maldoso de sua obesidade agiu, também, o ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, considerado estranho e agora o assassino de realengo no Rio de Janeiro. Estudo do psiquiatra americano Timothy Berwerton revela que 87% dos atiradores em escolas sofreram bullying e daí o agir como adulto enfurecido.

Felizmente, a comunidade escolar de Realengo agiu e resolveu limpar até a pichação na casa do ex-aluno e assassino para espalhar amor e vencer o ódio e suplantar a dor coletiva.

Tomo aqui exemplo positivo de superação de bullying. O escritor irlandês James Joyce sofreu-o e desdenhou dos engraçadinhos. Joyce ficou conhecido como escritor da escrita que vai além das regras gramaticais e percebida na lindeza impecável somente ao que tiver maior sutileza ou capacidade intelectual para amar o mundo.

Ele misturou palavras diferentes e formou coisas novas e apreciáveis. Ele pediu perdão tácito pelos ofensores por ser melhor ao escrever "O Gato e o Diabo", livro feito para seu neto e com linguagem acessível para todas as crianças. Embora, na verdade, jamais tenha psicologicamente esquecido do tempo da infância bruta e seus personagens estarem relacionados com suas experiências desagradáveis. Em "Ulisses" ou "Finnegans Wake" ele nos convida para as experiências múltiplas de descobertas surpreendentes e maravilhosas de que a vida bela e vivida vale mais que qualquer pretenso grande retorno profícuo ao ódio - sofrido.

Joyce resistiu até ao apelo de seu tio para que se ajoelhasse no leito de morte de sua mãe, mas foi capaz de tolerar os gritos infernais de seu pai alcoólatra, que resmungava diariamente para mãe (muito doente), que ela devia morrer logo e dar paz. Pediu perdão mais tarde (11 anos) na boca do personagem Buck Mulligan. Não mãe. Deixa-me ser e deixa-me viver.

Ele soube como ninguém usar do silêncio, do exílio e da astúcia para barrar o desejo humano de vingança. E como Joyce tem poucos neste mundo resta a nós, os endurecidos, exigirmos que o Congresso Nacional com máxima urgência aprove o projeto de lei que considera o bullying como crime de ofensa à honra. Afinal, a sociedade tem que agir rápido para polir a prata que a escola não conseguiu lustrar ou educar humanamente.



Fonte: Gazeta de Cuiabá, 20/04/2011 - Cuiabá MT



Keywords: educação, Vooz, Christian Messias, Mural da Escola, Brincadeiras de mau gosto



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