Atividades

Você está: Página Inicial / Blogs do Vooz / Arlinda Siga o Vooz no Twitter Add o Vooz no Orkut MSN Repórter Assinar RSS



Arlinda

Arlinda

Tamanho da fonte: 14  +  -
27/12/2009
Peeeeeeeense!

Assunta aí: Agora é a vez de conhecer o Piauiês!

Depois de falar sobre o Paulistanês, nada mais justo do que abrir espaço para mostrar o Piauiês. E para isto, pedi a ajuda da jornalista e Relações Públicas, Lanussa Ferreira, que assim como eu, valoriza e preserva a cultura piauiense. Então...

» Siga o Vooz no Twitter

» Add o Vooz no Orkut

Assunta aí! A Arlinda Monteiro, colega do curso de jornalismo, foi morar em São Paulo pra fazer especialização. E num é que acharam que a bichinha falava esquisito? Mandaram ela parar de falar esse tal de Piauiês e conversar direito. Hum... Hum-hum! Eles é que não sabem a valia que tem nossas palavras...


Durante o curso de jornalismo, nós falamos muito nessa dita-cuja Globalização que, pra facilitar mais a comunicação, todo mundo ia ter que falar parecido. De preferência, uma língua só. Tipo esse Inglês aí, metido a besta.


E apois... Se é pra todo mundo falar do mesmo jeitim, eu voto pro Piauiês ser a língua universal.


Marminino! Tem coisa mais bonita do que ver duas amigas se encontrando e uma dizer pra outra: “Quequiá, mermã?”.


E o nosso gargurau ? É comida de toda versidade. O povo que vem de fora, chega fica de olho grelado quando vê, bem na rosca da venta, uma Maria-Isabel quentinha, acompanhada de paçoca e um pedação de carne-de-sol em cima. Ui... Chega dá na fraqueza, depois.


E isturdia, eu encontrei um livro que se intitulava “A Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês”, do jornalista escrinche Paulo José Cunha.


E modos que, eu li que ele ajuntou todas as nossas expressões, as que só eram ouvidas e faladas por essas bandas e levei um espanto.


Arre égua!! Só a gente é que sabe falar essas coisas bonitas?? Porque, num é querendo fobar não, mas... A gente fala bonito, né não siá?


Foi aí que eu tomei entendimento de que o resto das pessoas tinha que experimentar também o sabor de nossa piauiensidade e resolvi usar o jornalismo pra isso.


O sucesso do rádio de pilha foi a revista Gargurau que nós produzimos na UESPI. Ela reunia o nosso Piauiês e um de comer de ótima qualidade. E no meio desse aribê de comida boa, nós colhemos as preferidas, aquelas que chega a gente come de capitão, e contamos suas histórias e receitas.


Fizemos pesquisas, visitamos o Mercado da Piçarra, onde a Paixão faz sarapatel, mão-de-vaca e buxada de bode como ninguém. Dizem que a comida é reimosa. Mas piauiense que é piauiense, num acha isso não.


Tá certo que, em pleno Bê-erre-ó-bró, comer um prato de baião-de-dois com sarapatel, mão-de-vaca e farinha, no pino do mei dia, é pra quem é muito apresentado. Mas também é bom que chia!


Então, a maior lição que tiramos de todos esses estudos é que, devemos valorizar o nosso quintal. O máximo que podemos. Assim como também temos que aceitar o modo de falar e os costumes dos outros brasileiros. Não há nada mais bonito do que esse taipeirão de sotaques, jeitos e expressões diferentes. E no final de tudo, somos todos a mesma coisa. Somos todos brasileiros.


P.s: Arlinda, manda esse povo parar de frescar com tua cara. Eles querem ser demais. São muito é bom de taca! Que marmota é essa?! Piauiense é piauiense... E boi num lambe!


Porrunchêro, mermanzinha! Quando tu der fé, eu tô por aí!


GLOSSÁRIO PIAUIÊS


Assunta: Presta atenção.


Bichinha, bichim: forma carinhosa de se referir às pessoas.


Hum... Hum-hum: onomatopéia com vários significados. Aqui eu quis dizer, “coisa sem propósito”.


Valia:
importância.


E apois: E então.


Marminino: Ora essa!


Quequiá?: O que é que há? Como vai?


Gargurau: comida.


De toda versidade: de todo tipo.


Olho grelado:
arregalado, fixo num ponto.


Rosca da venta:
na frente, na cara.


Maria-Isabel: um arroz, tipo carreteiro, feito com pequenos cubos de carne-de-sol muito bem temperados.


Paçoca: depois de frita a carne-de-sol é pisada no pilão com farinha de mandioca e cebola até ficar em fiapos.


Carne-de-sol: carne colocada pra secar no sol.


Dar na fraqueza: bateu forte (a comida).


Isturdia:
outro dia.


Iscrinche:
coisa ou pessoa elegante, alegre.


Modos que: de modo que.


Ajuntou: reuniu


Espanto: susto.


Arre égua: caramba!


Fobar: contar vantagem.


Siá: Forma sincopada de Sinhá, que por sua vez vem de Senhora. No Piauí é palavra de uso restrito das mulheres ou dos gays.


Sucesso do rádio de pilha: acontecimento de sucesso.


De comer: comida.


Aribê:
grande quantidade.


Capitão:
comida amassada com as mãos.


Paixão:
cozinheira famosíssima do Mercado da Piçarra, bairro da zona sul de Teresina.


Sarapatel:
prato feito com os miúdos do bode ou do boi.


Bê-erre-ó-bró: os meses terminados em BRO são os mais quentes do ano (setemBRO, outuBRO, novemBRO, dezemBRO).


Pino do mei dia:
meio-dia.


Apresentado:
exibido.


Bom que chia: bom demais.


Taipeirão: grande quantidade.


Frescar:
Ficar de “frescura”, chatear, mexer com alguém.


Só quer ser: usa-se para criticar pessoa que quer passar pelo que não é.


Cagaita podre: Deliciosa frutinha doce-azeda, muito comum nos cerrados do Piauí e do Centro-Oeste. Com um detalhe: a fruta é laxante, por isso só deve ser consumida gelada, senão dá uma disenteria daquelas de assoviar por trás. “Fulano? Hum, aquilo num vale uma cagaita podre”. Ora, se quente a fruta já provoca esse tiroteio, caucule uma cagaita... podre.


Bom de taca: pessoa que fez alguma coisa errada.


Marmota: coisa esquisita.


E boi num lambe:
e não tem pra ninguém.


Porrunchêro: pois um cheiro.


Dar fé: perceber.

http://www.formspring.me/arlindamonteiro

www.twitter.com/arlindamonteiro

Edição:  Arlinda Monteiro  | Fonte:  Lanussa Ferreira
O Vooz é um meio contratado para divulgação deste material. Todo conteúdo, imagem e/ou opiniões constantes aqui neste espaço é de responsabilidade civil e penal exclusiva do blogueiro ou de quem utilizou sua senha pessoal para postar as informações. O material aqui divulgado não mantém qualquer relação com a opinião editorial da empresa.


Média de avaliações:
Número de avaliações: 0

Avalie a matéria clicando sobre a estrela correspondente à nota de avaliação

Digite seu nome
Digite seu email
Nome do destinatário
E-mail do destinatário
Digite um comentario para o destinatário
Digite seu nome
Digite seu email
Digite o erro encontrado na noticia
Informe seu nome
Informe seu email
Informe seu estado
Informe sua cidade
Digite seu comentario

Comentários (5)

  • Fernanda    06/08/2010 - 21h09m Mermazinha amei esse texto,e boi num lambe!! Bichinha isso é bom que chia!!
  • Chagas Botelho    02/01/2010 - 16h19m Esse post deu que chiou, podem até reparar no nosso sotaque, mas ele é massa. Esses paulistas tão é com disdôbro. O piuiês é tão universal quanto a língua de Shakespeare pode botar fé.
  • Jefferson Xavier - Jex    01/01/2010 - 22h35m Merman, é de grande valia esse texto. Muito bom. Num liga pra esses paulistas não Arlinda. Marmenino, num to dizenu. Nam mermã nam. Feliz ano novo e parabéns pela criatividade do texto. Só dei fé agorinha. Diahh! beijos!
  • Raquel    28/12/2009 - 14h34m Valeu Arlinda!Vc é nossa porta-voz e representante dos nossos costumes em São Paulo.E não se acanhe,não...qualquer coisa manda esse magote de mal informado lá pros cafundó do judas.É muita frescura deles acharem que só o sotaque deles é certo...é muita limitação.O Brasil é enorme e tem muita diversidade mas só o Piaui espanta esse povo.Isso não é mais birra, é falta de informação mesmo!
  • Joaquim Monteiro    28/12/2009 - 08h46m Re hein! bichinha, tu é pigoita mermo, fez um texto muito doido pra mostrar nossa fala, tá de parabéns!

Saiba mais


Publicidade


Sobre o Blog

Arlinda - Blog da Arlinda Monteiro

Sobre o blogueiro

Arlinda Monteiro Arlinda Monteiro Jornalista, Relações Públicas e pós-graduanda em Direção de Arte

Pesquisa no Blog

Faça uma pesquisa específica nesse Blog

Mais acessadas


Copyright © 2010 vooz.com.br. Todos os direitos reservados.

Realização

Ideia Mundi Brasil