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'A escola não deveria ficar de fora do que está bombando entre os alunos'
Altemir Luiz Dalpiaz
Outro ano letivo está começando e a rotina nas escolas é retomada. Com algumas pouquíssimas e raríssimas exceções, o que vem acontecendo há anos se repetirá, perpetuando uma sina pré-histórica que acompanha a escola desde o início de sua existência.
Giz na lousa, lápis no papel, aulas centralizadas por um professor que disputa a atenção dos estudantes contra celulares e outras tecnologias eletrônicas de comunicação, e na outra ponta, alunos recebendo as informações, sentados, um atrás do outro. As crianças e adolescentes estão à frente do tempo da escola. Enquanto a escola insiste para que um aluno melhore a caligrafia, nossos jovens digitam teclados velozmente.
O silêncio exigido para a aprendizagem rivaliza com a capacidade que os jovens desenvolveram de conseguir , ao mesmo tempo, longe da escola, digitar, ouvir músicas e conversar com outras pessoas.
As escolas públicas, através das secretarias de educação, e os pais, na rede particular, investem boa parte de seus recursos comprando livros didáticos, apostilas, cadernos e outros acessórios. Excluindo os materiais que permitem o livre exercício de criar, todos os outros são dispensáveis.
São materiais descartáveis, dada a rapidez com que as mudanças e transformações ocorrem e são divulgadas. Somando o que se gasta com tudo isso, em três anos, daria tranquilamente e ainda sobraria dinheiro para a compra de um notebook para cada aluno.
Talvez necessitasse de menos, se o projeto de Nicholas Negroponte de vender notebooks por US$ 100 nos países mais pobres, estivesse vigorando aqui no Brasil. Por vários motivos, principalmente políticos, essas novidades não são implantadas. São medidas simples e baratas, como, por exemplo, o uso de um pen-drive que tem capacidade de armazenar todos os livros e apostilas.
Mas pen-drive sem computador não é nada. Um aluno recebendo um notebook, estará recebendo uma herança sem preço. Ele usará seu conhecimento para ensinar, por exemplo, seus pais.
Um equipamento desses, que abre várias janelas para o mundo, poderá apresentar um riquíssimo mundo de novidades aos seus usuários. Aprender é um processo simples, onde o conhecimento é passado para os outros. Educar é oferecer possibilidades e incentivar a pesquisa, o que funciona muito bem, quando o aluno está motivado.
A globalização está colocando todos no mesmo lugar. A proliferação do conhecimento agora é "horizontal", vem de todos os lados. Essa "confusão" de informações colocadas à disposição não pode ficar fora das escolas, pois a escola é um lugar que, teoricamente, prepara as pessoas para o mundo.
Não pode haver preparação se há uma resistência para se conviver com os avanços desse mundo que agora, mais que nunca, pulsa freneticamente na disseminação das informações. A escola não deveria ficar de fora do que está "bombando" entre seus alunos.
Estou falando aqui de medidas extremamente baratas, que, com um pouco de reflexão e esforço, podem revolucionar a nossa velha escola. Quem sabe, quando nossos alunos estiverem voltando para ela, tenham então uma visão do futuro ao alcance das mãos, literalmente.
Christian Messias - Notícias da educação na mídia, editoriais, opiniões e entrevistas; Comunicação e Radialismo; Humor e Curiosidades você encontra aqui.
Prof. Christian Messias Pedagogo, Pós-Graduado em Metodologias Inovadoras - Gestão Escolar e Educação a Distância. Estudante de Radiodifusão e TV pela Fundação Dom Avelar. Ministrante de cursos e palestras na área educacional em cursos de capacitação, graduação e pós-graduação.
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A profissão de educador/professor devia ter como pré-requisito que a pessoa tenha mente aberta e que tenha a facilidade de entender a cabeça dos jovens de hoje. E isso não ocorre nas escolas, principalmente, as públicas, nas quais proliferam professores que vivem repetindo o velho bordão dos que não entendem bem a realidade: "esses jovens de hoje estão perdidos, não respeitam mais nada!".